
Cultura: Importância estratégica
A política cultural guia-se pelo reconhecimento das necessidades do cidadão, seu direito de acessar patrimônios simbólicos herdados e a possibilidade de desfrutar de tendências criativas atuais, ampliando o consumo de bens culturais qualificados, garantindo serviços culturais regulares e disponibilizando meios para a produção cultural de maneira democrática. Ao promover liberdade de expressão e direito ao consumo, a cultura realiza sentidos de humanidade, vitalizando processos constantes de transformação e atualização das sociedades das quais participamos.
Ao propor políticas públicas, o Estado Brasileiro também aposta na formação ética dos indivíduos, sua existência pública e seus cultivos privados, o que requer relacionamentos constantes com as dimensões estética, perceptiva, simbólica e conceitual. Só assim a superação de adversidades alimentará o apreço a valores humanos e à auto-descoberta da diversidade humana.
Nessa perspectiva, a política cultural é o fator de inclusão social, sem o qual a redução de desigualdades não gera ambientes de prosperidade subjetiva, uma vez que faltam opções de lazer, alternativas de geração de renda e ampliação de possibilidades de comunicação. Assim, o primeiro desafio é combater as relações assimétricas que caracterizam o acesso à cultura e à arte no País, rompendo com forças inerciais da exclusão sócio-cultural.
O patrimônio cultural brasileiro, nosso imaginário, nossa arte e nossos hábitos são um capital simbólico valorizado que tem contribuído para a recepção positiva do País no mundo e se transformado em uma importante ferramenta geopolítica. A diversidade cultural é nossa marca distintiva, nossa fonte de riquezas, nosso patrimônio. Nosso artesanato, por exemplo, move uma indústria contemporânea que se estabelece com a arquitetura, o design, a moda e a gastronomia.
Além disso, as artes visuais, a música, o cinema, a literatura, o teatro, outras artes e manifestações culturais brasileiras são cada vez mais dinâmicas em sua circulação no ambiente mundial. Essas vibrantes e lucrativas dinâmicas da nova economia mundial apresentam taxas de expansão ao redor de 6% ao ano e representam, hoje, aproximadamente 7 % do PIB mundial. No Brasil, em 2007, o setor cultural constituía-se de 320 mil empresas, representando 5,7% do total, e responsável por 1,6milhões de empregos formais.
A agenda da cultura tem forte interação com a mundialização de nossa economia e com o reposicionamento político internacional do País. Será cada vez mais estratégica na superação de velhas assimetrias e de comércios injustos entre os países pobres e ricos, na medida em que as questões de desenvolvimento migram para o campo da economia do conhecimento, crescem as formas de contratação de inteligência e de trabalho imaterial, e ganham importância novas formas de gestão de propriedade intelectual e direito autoral.
A cultura é estratégica para o País. Sua presença no campo das políticas de Estado requer aprofundamento para que não se reduza a adereço do desenvolvimento ou enfeite de nossa mundialização, mas seja o que é: o fator estruturante e regulador das relações sociais e da própria noção de desenvolvimento do Brasil.
Fonte: http://www.sae.gov.br/brasil2022/?p=177