O QUE A ONG FAZ...

"Um novo modo de pensar, para uma nova maneira de agir." É com esse lema que nós buscamos levar educação em direitos humanos, política e cidadania para todos que queiram discutir tais conceitos, acreditando que a partir da reflexão e discussão dos temas de interesse geral do cidadão, cada um tem a capacidade em si de transformar sua realidade.

COMO PARTICIPAR?

Você pode entrar em contato com a ONG Pensamento Crítico através do email pensamento_critico@pensamentocritico.org, ou nos visitar em nosso endereço: Rua Cristiano Viana, 841, CEP 05411-001, Pinheiros, São Paulo, SP ; pelo telefone 3228-4231; ou através de nossas mídias sociais.

O direito penal tem de defender os direitos humanos'

Para Raquel Dodge, a prisão de José Roberto Arruda, o primeiro governador a ir para a cadeia no exercício do cargo, é um sinal dos novos tempos no combate à impunidade


ENTREVISTA

Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE
Missão. Segundo Raquel Dodge, a prioridade dos procuradores tem de ser o combate ao desvio do dinheiro público

Raquel Dodge

Convencida de que a corrupção é "causa decisiva" da pobreza das cidades e está "largamente entranhada em vários setores (da vida pública), representando um risco real à democracia", a procuradora da República Raquel Elias Ferreira Dodge propõe um novo olhar do Estado na aplicação da lei penal. Ela defende que se trate a corrupção como grave violação de direitos humanos. "Engana-se quem pensa que corrupção destrói apenas a moral e o patrimônio público. Ela afeta a vida humana no que ela tem de mais precioso." A ação dos corruptos, diz, solapa os direitos humanos básicos, como saúde, educação e a livre circulação em estradas seguras.

A voz suave e os gestos discretos contrastam com a disposição implacável de Raquel quando se trata de combater corrupção e crimes do colarinho branco. Ela é responsável pelas investigações da Operação Caixa de Pandora, que levaram pela primeira vez à prisão um governador, José Roberto Arruda (DEM-DF), hoje afastado do cargo. Ela promete oferecer, até dezembro, denúncia contra os envolvidos no escândalo que engolfou a capital da República.

Procuradora desde 1987, Raquel coordena atualmente a 2.ª Câmara, uma das mais importantes do MP, responsável pelas matérias criminais e pelo controle externo da atividade policial. Com mestrado em Harvard (EUA), Raquel é detentora de uma carreira considerada exemplar, com foco nas áreas criminal e de defesa de direitos humanos. Atuou na equipe que investigou, processou e obteve condenação da quadrilha liderada pelo ex-deputado Hildebrando Paschoal, do Acre. Tem atuado também na defesa do patrimônio público, de índios e minorias e no combate ao trabalho escravo. São da sua lavra os dois primeiros inquéritos civis públicos instaurados no País para investigar violações ao direito à saúde. As iniciativas tiveram repercussão na aprovação da Emenda Constitucional 29 e na consolidação do SUS no Brasil.

A sra. tem tratado a corrupção como grave violação de direitos humanos. Em que sentido?

Essa perspectiva do direito penal não é nova, mas a ênfase sim. Atos de corrupção atingem diretamente o cidadão, uma vez que ele tem serviços e obras não concluídos pelo Estado. O que essa abordagem traz de novo é que ela invoca a perspectiva da vítima do crime. Pessoas se apropriam de verbas públicas importantes para a realização de direitos fundamentais, previstos na Constituição, como direito a saúde, educação, moradia e o de transitar livremente em estradas seguras. Quando há apropriação ilícita de verbas, esses serviços acabam não sendo prestados, ou prestados de forma ruim. Vidas humanas são ceifadas em estradas de péssima qualidade. Crianças deixam de ir para a escola, cirurgias deixam de ser feitas nos hospitais.

É um olhar novo do Ministério Público? Nós estamos propondo uma diretriz e critérios objetivos de atuação. Usaremos o direito penal para defender direitos humanos. Nas estradas brasileiras, muitas de péssima qualidade, morrem muitas pessoas. Nelas, transita a produção agrícola e industrial. Os preços dos produtos ficam prejudicados pela má qualidade das estradas. Nos hospitais também morrem muitos por falta de assistência. Há uma crônica deficiência de aparelhamento hospitalar nas pequenas cidades. Naquilo que essas deficiências estiverem relacionadas com corrupção, nós vamos agir.

O tema corrupção foi abordado superficialmente nesta campanha eleitoral. A corrupção está sob controle no País?

Não. No Brasil, nós temos a corrupção largamente entranhada em vários setores do Estado. Em 1958, Nelson Hungria, quando fez análise do Código Penal Brasileiro de 1940, ainda em vigor, anotou que já naquela época a corrupção estava disseminada no Estado. Ele dizia: a Justiça é lenta, não atinge mandantes, nem os verdadeiros beneficiários da corrupção. Ela só tem conseguido alcançar os executores e intermediários. Temos de aprimorar a atuação judicial para que ela seja célere e também responsabilize criminalmente os mandantes e os verdadeiros beneficiários da corrupção.

Que atores devem estar envolvidos nessa mobilização que a sra. propõe contra a corrupção?

O primeiro estímulo é dirigido aos procuradores da República, que têm o poder de requisitar investigações contra os diferentes tipos de corrupção que ocorrem no País. Defenderemos uma boa aplicação dos recursos públicos na saúde, na educação e nas estradas.

A sra. é um dos responsáveis por colocar na prisão, pela primeira vez, um governador de Estado envolvido em corrupção. Foi um fato isolado?

É uma sinalização aos altos dirigentes do País sobre os novos tempos no combate à impunidade. O ano de 2010 é um ano feliz no sentido da maior eficiência do direito penal. Tivemos a prisão de um governador no exercício do cargo e também condenações pioneiras pelo STF. Caminhamos para a consolidação do Estado democrático de direito em que a lei passa a valer para todos. Quando necessário, usaremos sim a lei, como fizemos no caso do governador do DF, uma prisão necessária para facilitar a instrução penal. O caso sinaliza para governantes e a população que uma nova etapa se inicia no País.

Que conselhos a sra. dá aos novos dirigentes que saem das urnas?

O dirigente público deve ficar atento a esse novo olhar do MP. Faço um alerta ao administrador, para que ele tenha zelo com o que acontece no âmbito da instituição que ele dirige, para que faça auditorias, adote mecanismos de controle e não permita a prática da corrupção. São atitudes preventivas. Os crimes acontecem sempre que há a tentação e, apesar do risco, não haja alguém exercendo essa vigilância.

Quais os maiores entraves à aplicação da lei penal de forma igualitária?

O foro privilegiado é um fator grave. Dificulta o combate à corrupção por várias questões. Uma delas é a mudança frequente da condição do acusado. Ora ele é autoridade com foro, ora perde a condição. Isso acaba dificultando a prestação jurisdicional. Mudança de mandato altera o foro que vai julgar a pessoa, interrompendo bruscamente o curso da ação penal. O privilégio é baseado numa desconfiança, a de que juízes singulares, que julgam qualquer um de nós, não têm isenção necessária para julgar quem tem foro especial. Acredito que a confiança é o maior ativo social e nós temos de confiar que os juízes que são aptos para julgar qualquer cidadão do povo também são aptos para julgar com isenção e qualidade técnica qualquer pessoa acusada de crime no País. Chega de foro privilegiado.

Sua preocupação faz supor que o Brasil está perdendo a guerra contra a corrupção. Há riscos para a democracia no horizonte?

Há riscos, mas acredito que estamos andando numa trilha favorável à superação do que muitos estudiosos chamam de transição democrática. Saímos de uma fase de ditadura, repressão e menos garantias individuais. Acredito que caminhamos para uma democracia mais madura, onde o foco da atenção institucional esteja na aplicação da lei. As instituições estão cada vez mais tendo suas funções exercidas por profissionais qualificados, sejam policiais, promotores, juízes, que têm conseguido exercer bem sua atribuição e fazendo a lei sair do papel.

Como está a qualidade da prova produzida no País pela polícia e o MP?

Precisamos melhorar muito. A prescrição penal ainda é um dos grandes fatores de arquivamento de investigações e, portanto, um dos grandes fatores de impunidade. Há demora na elaboração do inquérito. Mas precisamos também melhorar a qualidade da prova pericial e documental para que as condenações dependam menos das provas testemunhais. Hoje é um fardo enorme para o brasileiro ser testemunha de algum crime. Nós precisamos equilibrar isso, melhorando a qualidade dos documentos e das perícias que são feitas nas investigações.

E no Judiciário, quais são os nós que precisam ser desatados?

Um dos mais importantes consiste em definir critérios objetivos sobre os casos que entram na pauta de julgamentos. É uma questão relevante porque nos tribunais não há critério objetivo e claro a respeito de qual caso será julgado antes do outro. Não se sabe se é o que foi ajuizado primeiro, se entra o caso mais relevante por causa de sua repercussão, ou outro fator objetivo. A questão da prescrição é importante como fator de encerramento prematuro da ação penal. Esse é um diálogo importante que temos de abrir com o Judiciário, para ver como é possível aumentar a velocidade dos julgamentos sem comprometer nenhuma das garantias que a Constituição oferece ao cidadão.

Fonte: www.estadao.com.br

Documentário Curta Saraus

4° Encontro da Pessoa Negra em Parelheiros

Conhecimento, compreensão e memória: experiências em história oral e cine-documentário - 19 anos do NEHO/USP


SEMINÁRIO - PROGRAMAÇÃO (16 e 17 de novembro)

16 de novembro (terça-feira)

09h - Credenciamento e inscrições

10h - Sessão de Abertura: História Oral e Testemunho

Anita Waingort Novinsky – Historiadora, professora da USP, presidente do LEI/USP

José Carlos Sebe Bom Meihy – Historiador, professor titular da USP, coordenador do NEHO-LEI/USP


11h- Mesa Redonda: História Oral e Saúde

Dante Gallian – Historiador, professor da UNIFESP

Fabiola Holanda – Historiadora, professora da Universidade Federal de Rondônia Roberto Rillo Bíscaro – Linguista, Professor da Fundação Educacional de Penápolis Mediadora: Mara Selaibe – Psicanalista, pesquisadora do CEPI-LEI/USP

INTERVALO

14h - Mesa Redonda: História Oral e Experiências Acadêmicas

Yvone Dias Avelino – Historiadora, professora da PUC – SP

Lourival dos Santos – Historiador, coordenador do curso de História da UFMS

Suzana Lopes Salgado Ribeiro – Historiadora, pesquisadora do NEHO-LEI/USP

Mediador: Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho – Historiador, pesquisador do NEHO-LEI/USP

15 h 30 – Mesa Redonda: História Oral e Imigração

Hélio Braga da Silveira Filho – Pedagogo, professor da UNIFIEO, pesquisador do LEI/USP

Samira Adel Osman – Historiadora, professora da UNIFESP

Carlos Subuhana - Pós-doutor em Antropologia (USP), pesquisador da Casa das Áfricas

Mediadora: Sheila Skitnevsky-Finger - Psicanalista, pesquisadora do CEPI-LEI/USP

17h – Entrevista Pública: Militância e Testemunho

Entrevistado: Paulo de Tarso Venceslau

Entrevistadora: Marta Gouveia de Oliveira Rovai – Historiadora, pesquisadora do NEHO-LEI/USP

17 de novembro (quarta-feira)

10h – Mesa Redonda: Religiões e Religiosidades

Participantes: Articulistas do dossiê Religiões e Religiosidades da Oralidades – Revista de História Oral – NEHO-LEI/USP

Mediador: Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho - Historiador, pesquisador do NEHO-LEI/USP

Lançamento do dossiê Religiões e Religiosidades da Oralidades

Lançamento de livros e revistas

INTERVALO

14h – Apresentação e Exibição do filme Utopia e Barbárie, de Sílvio Tendler (Brasil, 2009, 120 min., português)

16h Debate

Silvio Tendler – Cineasta, professor do Dep. de Comunicação Social da PUC-RJ

Eduardo Morettin – Professor da Escola de Comunicação e Artes - USP

Maurício Cardoso – Historiador, professor da USP

Mediadora: Fernanda Paiva Guimarães - Pesquisadora do NEHO-LEI/USP

INTERVALO

19h Apresentação e Exibição do filme Carabina M2, Una Arma Americana: Che na Bolívia, de Carlos Pronzato (Argentina, 2007, 90 min., espanhol)

20 h 30 – Debate

Carlos Pronzato – Cineasta

Marcos Antonio da Silva – Historiador, professor da USP

Mário Sérgio de Morais – Historiador, professor da FAAP, pesquisador do LEI/USP

Mediadora: Maria Cláudia Badan – Historiadora, pesquisadora do LEI/USP

INSCRIÇÕES : neho.oralidades@gmail.com até dia 15, ou no dia do evento, a partir das 09h. Pagamento no dia do evento

R$ 20, com direito à nova edição da Oralidades, a uma das edições anteriores e a certificado

R$ 15, com direito a uma das edições anteriores da Oralidades e a certificado


Local: Casa de Cultura Japonesa - Av. Prof. Lineu Prestes, 159 – Cidade Universitária (USP)

O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter

Ontem, dia do resultado das eleições presidenciais, que deveria ser um dia de festa da democracia, ficou marcado como um dia em que o preconceito e o ódio tomou conta do Twitter, tão popular que é no Brasil. Um dia em que os Nordestinos foram tratados de forma altamente discriminatória. Um dia para não ser esquecido.

No Brasil, é muito comum se escandalizar com preconceito contra negros e gays. Casos assim ocupam páginas de jornais, provocam discussão e tem o tratamento que merecem ter. Mas, infelizmente, ainda existe o preconceito com relação à região de procedência, que é algo ainda pouco levado a sério e divulgado pela imprensa. E é algo que me assusta pela proporção com que tem crescido.

Eu sou Nordestina, de Fortaleza, Ceará. Nascida e criada aqui, com todos os sotaques e trejeitos característicos da região. Falo “oxente” e “vixe”, porque cresci com estas palavras fazendo parte do meu vocabulário. E tenho um baita orgulho de ser cearense. Por nada sairia daqui, porque aqui é o lugar que eu amo e onde me sinto feliz, com seus defeitos e virtudes. Por isso, me senti muito ofendida e triste com as mensagens que vi ontem no Twitter.

Para quem não acompanhou, tivemos um espetáculo digno de Goebbels. Vergonhoso, repugnante, capaz de fazer qualquer nordestino se sentir mal. Ver pessoas incitando a discriminação, pessoas com estudo e conhecimento incompatível com suas palavras, me provocou uma profunda tristeza.

Vejam vocês a que nível chegamos:

Retirado daqui: http://twitter.com/#!/kewenpantcho/status/29339798428

Retirado daqui: http://twitpic.com/32tlvx

E a pior de todas:

@mayarapetruso

Retirado daqui: http://twitpic.com/32ted4

Há muitos mais. Basta fazer uma busca no Twitter por “Nordestino“. Me recuso a comentar estes tweets.

Para quem não sabe, isso dá cadeia. Quem diz é a lei 7.716, de 1989, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. A lei afirma:

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:

I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores.

O preconceito tem que ser divulgado, não pode simplesmente ser aceito ou ignorado. O preconceito é crime e deve que ser tratado como tal. Não é porque uma pessoa nasceu em outra cidade, outro estado, outra região que será menos capaz do que você. Somos todos brasileiros, apesar das diferenças regionais.

Da mesma forma como muitos nordestinos são discriminados ao ir para o sul/sudeste, somos todos discriminados ao irmos para os Estados Unidos ou Europa, porque para eles tanto faz se você fala oxente, meu ou bah. Você é brasileiro e será taxado e julgado por isso. Agora imagine sofrer isso no seu próprio país.

Espero que você que é leitor do Mundo Tecno, reflita sobre isso. Tenho certeza de que, como meu leitores são pessoas inteligentes, irão se arrepender caso tenha falado alguma bobagem, e eu o desculpo por isso. Espero também que tenham consciência de que, no final das contas, nós estamos todos no mesmo barco.

Respeito ao próximo é o primeiro passo para vivermos em um país melhor. Então, vamos nos respeitar?

Destaque, Opinião | Cynara Peixoto | 01/11/2010 às 10:11

Fonte: http://www.mundotecno.info/destaque/o-dia-em-que-o-preconceito-tomou-conta-do-twitter

Feira de Livros da Resistência

Homenagem a Clemnetina de Jesus 14/11/2010

 
FAÇA SUA DOAÇÃO ONLINE: