O QUE A ONG FAZ...

"Um novo modo de pensar, para uma nova maneira de agir." É com esse lema que nós buscamos levar educação em direitos humanos, política e cidadania para todos que queiram discutir tais conceitos, acreditando que a partir da reflexão e discussão dos temas de interesse geral do cidadão, cada um tem a capacidade em si de transformar sua realidade.

COMO PARTICIPAR?

Você pode entrar em contato com a ONG Pensamento Crítico através do email pensamento_critico@pensamentocritico.org, ou nos visitar em nosso endereço: Rua Cristiano Viana, 841, CEP 05411-001, Pinheiros, São Paulo, SP ; pelo telefone 3228-4231; ou através de nossas mídias sociais.

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Fórum Social Mundial 2011 começa exaltando revoltas populares no Egito e Tunísia

Mobilizações no Norte da África e Oriente Médio inspiram participantes do FSM 2011 na busca por alternativas e pela superação de governos tiranos; aberto neste domingo (6), no Senegal com forte presença das mulheres africanas, Fórum deverá reunir cerca de 50 mil pessoas de 123 países, e contará nessa segunda-feira com a presença do ex-presidente Lula, que estará na mesa "A África na geopolítica mundial" ao lado do presidente senegalês

Ao final da tradicional marcha de abertura, entre os arredores da grande mesquita local (95% dos senegaleses são mulçumanos) e a Universidade de Dacar, onde acontece o encontro, ativistas de Tunísia e Egito dividiram o palco com personalidades como o presidente da Bolívia, Evo Morales, e o senegalês de origem tunisiana Taoufik Ben Abdallah, um dos responsáveis por levar o Fórum pela segunda vez à África.

Em discurso emocionado, o advogado tunisiano Trifi Bassem, ativista pelos direitos humanos em seu país, disse que a revolta popular que derrubou o ditador Ben Ali, em janeiro, pode inspirar outros povos que vivem sob regimes autoritários a se mobilizarem. A queda do ditador pôs fim à repressão de 23 anos baseada "em tiros de bala, cacetetes e gás lacrimogênio", disse ele.

Em entrevista à Carta Maior, Bassem, que integra uma delegação de 20 tunisianos presentes em Dacar, afirmou que "subiu ao palco para transmitir um pouco da energia e do sonho que tenho pela libertação do povo do meu país". Para ele, "o formidável e interessante no Fórum é que todo mundo se encontra, troca experiências, idéias e sonhos, os mesmos sonhos que o povo tunisiano sonhou".

No mesmo tom, o representante do Egito disse que seu povo "mostrou que tem coragem para pagar o preço da liberdade". Ele, que há dois dias estava na praça Tahrir, palco dos protestos contra o presidente Hosni Mubarak, no centro do Cairo, explicou que a "revolução" não cessará enquanto tudo não ficar "preto no branco". "O bravo povo egípcio mostrou que tem coragem para pagar o preço da liberdade. Mais de 300 pessoas já morreram nesta luta suja. Não sei o que vai acontecer amanhã, mas o passo da revolução vai continuar", concluiu.


Conflitos, alternativas e Lula no Fórum

Falando em nome da organização do Fórum, Taoufik Ben Abdallah tem afirmado que o encontro refletirá os conflitos no mundo árabe e tratará das alternativas populares e democráticas e dos valores universais.

Entre as atividades em planejamento, um grupo de ativistas ligados à imprensa alternativa promete para esta segunda-feira (7) um link ao vivo entre Dacar e a Praça Tahrir, no Egito. A programação oficial ainda não foi divulgada, mas as 1.205 organizações inscritas no evento já contam em mãos com um cronograma provisório e cuidam elas mesmas de anunciar suas atividades.

O Fórum Social Mundial de 2011 deve receber participantes de 123 países, além da Palestina e Curdistão, entre os dias 6 e 11 de fevereiro. A expectativa do Comitê Organizador é que 50 mil pessoas se reúnam para as atividades. Os temas a serem debatidos envolvem gastos militares, crise alimentar, desenvolvimento, agricultura familiar, saúde, seguridade social, acesso à água e a saneamento.

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participará do Fórum deste ano ao lado do presidente do Senegal, Abdou Layewade. Ambos estarão na mesa "A África na geopolítica mundial", marcada para acontecer nesta segunda-feira (7), das 12h30 às 15h30 locais (2h a mais de fuso em relação à Brasília). A presidenta Dilma Rousseff não virá ao Senegal e está sendo representada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.


Marcha de abertura

As lutas pró-democracia no Norte da África e no Oriente Médio marcaram forte presença na marcha de abertura do Fórum. "Ficamos surpresos com tudo o que aconteceu lá", afirmou Hanane Gareh, representante da Confederação Democrática do Trabalho do Marrocos (CDT), a maior central sindical do país. "Quando um povo se levanta e passa a lutar por seus direitos, não há como não os apoiar. Ninguém imaginava que isso podia acontecer no Egito e na Tunísia", disse ela, enquanto carregava uma bandeira da CDT.

Gareh não considera, porém, que os conflitos possam atingir o Marrocos – uma monarquia constitucional. Segundo ela, as liberdades civis e políticas são garantidas no país, em que haveria disputa entre os partidos e abertura para protestos e greves. "Mas isso não significa que não haja muito o que melhorar", ressalta ela. Algo demonstrado, por exemplo, na luta do povo saharaui pela independência do Saara Ocidental frente ao Marrocos, que controla a área desde a década de 1970, após a saída da Espanha.


Mulheres na marcha

Em uma marcha marcada pela grande presença das mulheres africanas, ativistas apresentaram outros temas que serão discutidos no Fórum. A jornalista brasileira Terezinha Vicente, militante da Ciranda da Comunicação Independente e da Marcha Mundial das Mulheres, apontou a violência contra a mulher como uma questão essencial, sobretudo na África.

"Em vários países africanos em conflito, o estupro é uma arma de guerra. Em outros, a prostituição é um saída contra a pobreza", disse Terezinha, que aponta que 70% dos pobres do mundo são mulheres – ou seja, "a pobreza é feminina", pontuou.

O agricultor e criador Ibrahime Balde, da região de Kolda, sul do Senegal, reafirmou sua luta por melhores condições para se produzir em seu país. Dono de dois hectares de terra, ele tem um objetivo claro: "Eu quero o mesmo que os agricultores europeus possuem, o mesmo desenvolvimento", afirmou. Para disso, escolheu militar em uma organização da sociedade civil de sua localidade, apesar das sugestões para que se envolvesse com a política tradicional. "É o que me dizem, mas eu não gosto dela".

Um outro tema presente na marcha, em faixas e nas camisas dos militantes, foi a educação. Magueye Soue, membro do Grupo para o Estudo e a Educação da População, uma ONG senegalesa, contou que sua entidade possui parceria com as Nações Unidas e mantém, entre outros projetos, pesquisas sobre desnutrição de crianças. "O Fórum será uma oportunidade para conhecer outros projetos parecidos", disse ele.

Já a finlandesa Fanny Bergmann, voluntária na associação Action Enfance Senegal, afirmou que é difícil falar sobre um Fórum que ainda iria começar, mas espera avanço nos debates e iniciativas contra a exploração do trabalho infantil – infelizmente ainda tão comum em Dacar.

Na capital senegalesa, Fanny, que é estudante de Literatura Francesa, dá aulas de inglês e artes École Associative de Ndiagamar, dedicada a crianças carentes nesse subúrbio pobre da cidade, onde vivem 70 mil pessoas.



Fonte: Carta Maior (por Marcel Gomes e Bia Barbosa)

Educação para a Sustentabilidade

FSM discute a resistência e luta dos povos africanos

O Fórum Social Mundial retornará à África em 2011. Depois de Nairóbi (Quênia), Dacar, capital senegalesa, receberá a edição centralizada entre 6 e 11 de fevereiro de 2011, diferentemente de anos anteriores em que acontecia nos mesmos dias do Fórum Econômico de Davos. Com enfoque na história de resistência e luta dos povos africanos, o FSM 2011 deverá encontrar a interface necessária com as lutas e as estratégias globais comuns à África, ao Sul e ao resto do mundo. Por isso, os eixos temáticos do Fórum devem levar em consideração as principais preocupações dos movimentos sociais de todo o globo. Os eixos estarão em consulta pública até 10 de setembro.

Para os organizadores, o retorno do FSM à África expressa solidariedade ativa do movimento social internacional, apoio bem-vindo já que “a África corre o risco de pagar pela crise atual do capitalismo, já estando enfraquecida pelos programas de ajustes estruturais da década de 1980 e 1990.”

Os seis dias do evento serão organizados da seguinte maneira:
1º dia (6/02/2011): Marcha de Abertura
2º dia (7/02/2011): Dia da África e da Diáspora
3º dia (8/02/2011): Atividades autogestionadas
4º dia (9/02/2011): Atividades autogestionadas
5º dia (10/02/2011): Assembleias Temáticas
6º dia (11/02/2011): Manhã: Assembleias Temáticas/ Tarde: Assembleias das Assembleias

A experiência de dez anos do FSM preparou esse momento para ser um espaço dedicado a fortalecer a capacidade ofensiva contra o capitalismo neoliberal e seus instrumentos; aprofundar as lutas e resistências contra o capitalismo, imperialismo e opressão, além de propor alternativas democráticas e populares.

Local e inscrições
O campus da Universidade Cheik Anta Dioup será o local central da realização do Fórum. Abrigando salas, anfiteatros e espaços abertos para realização das atividades e/ou para tendas temáticas, Acampamento Internacional da Juventude e palcos. Será possível fazer as inscrições virtual e manualmente. Estas destinadas àqueles com pouco ou nenhum acesso à internet e aos meios de pagamento online via cartão de crédito, como previsto no sistema que está sendo desenvolvido. Ainda com a intenção de democratizar o acesso, as taxas serão aplicadas a partir de diferentes critérios geopolíticos e de grupos sociais, de modo a atender a pluralidade dos participantes. A intenção é que as inscrições online estejam disponíveis a partir de outubro.

Alimentação, água e resíduos
Com os objetivos de dar maior visibilidade à cultura alimentar local e valorizar e favorecer a participação ativa dos camponeses e pequenos agricultores, serão vendidos produtos locais ou regionais (África Ocidental) de pequenos produtores no território do FSM. A ideia é que os participantes também consumam produtos da 12ª Foire Internationale de Agriculture et des Ressources Animales (FIARA), feira conhecida na região que acontecerá nos dias do evento.

Em relação à água, o COS tem a preocupação de não contribuir com a inflação de seu preço. Por isso, está estudando a viabilidade de oferecimento gratuito de água por meio de fontes com mecanismo de filtragem para evitar também o uso de garrafas plásticas. Está previsto um trabalho de conscientização a respeito do lixo, tanto no sentido de evitar a sua formação quanto no de seu recolhimento e seleção. O Comitê tem integrado catadores de lixo/recuperadores na Comissão de Logística para elaborar alternativas a esse respeito.

Acomodação e Acampamento Internacional da Juventude
Para evitar grande flutuação de preços, uma negociação aberta com diversos hotéis da cidade está em curso para assegurar tarifas promocionais aos participantes. Algumas opções de hotéis já estão disponíveis em http://fsm2011.org/fr/hebergement.

Além destas alternativas, a Comissão de Juventude está trabalhando para a realização do Acampamento Internacional da Juventude no interior do Campus (local ainda não definido).

Para dar conta de particularidades da cidade, alguns outros itens da organização também estão sendo pensados:
- Acessibilidade no evento, especialmente para as pessoas com mobilidade reduzida;
- Mobilização e treinamento de voluntários para lidar com pessoas de idade avançada e deficientes visuais;
- Facilitação do processo de obtenção de vistos de entrada no país, dada a impossibilidade de assegurar a gratuidade de sua emissão;
- Trânsito e transporte: negociação, em curso, junto ao sindicato dos transportes para sensibilização dos motoristas tanto de transporte público quanto de táxis, além de estudos sobre a sinalização do FSM.



Fonte: Boletim do FSM
http://www2.abong.org.br/final/noticia.php?faq=21748

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL LUTA PELA VISÃO CRÍTICA DA MÍDIA


Dentro do Fórum Social Mundial deste ano, uma das palestras que trouxe alguns pontos vitais de discussão em relação à comunicação e à liberdade de expressão, este último, direito fundamental do ser humano descrito em nossa Constituição Federal, foi aquela com o tema de “Comunicação e educação: capacitando a sociedade para uma leitura crítica da mídia”, coordenada pelo Sr. José Luiz Nascimento Sóter, com a participação dos painelistas Roseli Goffman, psicóloga e representante do Conselho Federal de Psicologia da Coordenação executiva do FNDC, Christa Berger, coordenadora do Programa de Pós- Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, e ainda Celso Schröder, coordenador-geral do FNDC, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas e presidente da Federação dos Jornalistas da América Latina e Caribe.

A primeira questão levantada, que nos remete ao supremo interesse financeiro da mídia, em particular da rede televisiva, ao selecionar sua programação, tem o importante papel de alertar às enormes quantidades de mensagens subliminares, assim como aquelas diretamente apresentadas, a que nos expomos todos os dias, sendo que aqueles provenientes dos mais excluídos nichos sociais são freqüentemente os mais afetados por estas representações exageradas e induzidoras da realidade, vez que encontram neste meio de comunicação da televisão uma maneira rápida e “divertida” de passar o tempo, sem a necessidade de grandes análises de sua atual situação e de seu meio social.

Ademais, os painelistas discutiram com intensidade a função exercida pela televisão e outros meios de comunicação na educação da infância e juventude, já que não é incomum que sejam estes instrumentos utilizados a fim de manter crianças e adolescentes seguros em casa, mormente quando é impossível a contratação de uma babá ou o permanecimento dos pais em casa. Com isso, torna-se um hábito que aqueles passem entre 4 e 5 horas diárias diante do aparelho de TV, recebendo interminantemente imagens falsas que transmitem, como não poderia deixar de ser, falsas verdades que incitam e definem a mente em formação.

Neste passo, resta claro que a população brasileira, dentro de todas as suas camadas sociais, tem afetação profunda da mídia e do que por esta é passado, sendo, por essa razão, determinante uma reflexão crítica norteando o conteúdo encontrado naquela.

Assim, é comum a exacerbação das cenas eróticas em novelas, a exposição constante do público à violência, descrevendo crimes e acontecimentos trágicos apenas para o aumento do ibope e ganho de renda em anúncios, e a genérica colocação do ideal consumista-burguês, a imposição de um controle social, reprimindo a luta de classes e sua conseqüente mobilidade e a apregoação da felicidade imediata, o carpe diem hedonista, todos estes fatores que influem para uma sociedade cada vez mais individualista, competitiva e cruel.

É preciso considerar, de fato, a relação de oferta e procura existente na disposição do conteúdo midiático, já que, como é a filosofia do mercado capitalista, não haverá a produção de certo bem de consumo, se não houver aquele que o compre. Vale, contudo, asseverar à possibilidade de que a mídia, nos moldes em que encontramos hoje, somente intensificou-se com a implementação do capitalismo e, por esta linha de pensamento, tem como vínculo de existência a própria venda deste sistema, sem o qual, inevitavelmente, perderia sua base e teria que ser intrinsecamente reformulada.

Foi em vista destas falhas estruturais e nas graves conseqüências das mesmas que estamos congregando em nosso seio social, que foram sugeridas algumas reformas na maneira de se definir o conteúdo repassado pelos meios de comunicação no Brasil. Os painelistas trouxeram algumas conclusões a respeito das possibilidades de realização deste “controle de qualidade” em nossa mídia, tais como:

  • O fim da publicidade na qual estejam crianças de até 12 anos, com o fim de permitir que estas desenvolvam primordialmente seu senso cidadão, anteriormente à aquisição dos valores capitalistas da competitividade e do consumo;
  • A não publicação de anúncios relacionados a bebidas alcoólicas, a fim de não influenciar crianças e jovens a sua ingestão, como hábito natural e positivo;
  • Impedir o enobrecimento do automóvel e do meio de transporte individual de maneira irreal, como forma de ascensão individual na sociedade, procurando arrefecer o sentimento interno de que a possibilidade de se ter um carro iguala-se ao sucesso pessoal;
  • Acabar com propagandas e mensagens em programas televisivos, de rádio, jornais e revistas, que induzam ao receptor aceitar que a sociedade é estática e o cidadão deve ser controlado, para que não aja indevidamente e quebre a chamada “ordem social” do capitalismo.

Se, à primeira vista, possam tais sugestões parecer um tanto “censuradoras” da já mencionada liberdade de expressão, vale verificarmos esta questão mais a fundo. Será que pode ser considerada censura a definição de conteúdos educativos e não manipulativos à nossa população? E mais, será que aqueles que fossem responsáveis pelo próprio “controle” não seriam corrompidos por grupos dominantes, violando, portanto, ao revés, a informação repassada? Ou já existe uma censura implícita na informação recebida, sempre atendendo a interesses ocultos de elites e poderosos?

Pois, não fazem mais do que 18 anos desde que teve o fim a ditadura, triste tempo durante o qual uma das armas do regime era, inegavelmente, a censura dos meios de comunicação, para que somente fossem publicados fatos que agradassem ao governo. Assim, inseriu-se em nossa Constituição Federal, como oposição à postura adotada até então, a cláusula que empodera o cidadão e lhe permite a livre declaração de suas vontades, reclamações e insatisfações, por meio do ditado de que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Ainda assim, bem como diversos outros mandamentos de nossa Carta Magna, apresentam beleza nas idéias e falhas na prática, já que é sabido que a vasta maioria dos meios de comunicação no Brasil, em particular daqueles com maior alcance, são monopolizados por pequeníssimos grupos de ricos e poderosos, variando-se entre governantes, líderes religiosos e empresas milionárias, algumas, inclusive, controladas por pessoas que abertamente apoiaram a ditadura.

Talvez, portanto, não baste uma tentativa de se melhorar o conteúdo apresentado em nossa mídia por meio de um controle externo e duvidoso da mesma, sendo necessária a verdadeira reviravolta no controle da mesma, possibilidade esta, entretanto, pouco possível de ocorrer.

É por mais essa razão que torna-se sobremaneira relevante a análise crítica destes veículos, sendo necessária, portanto, uma conscientização social desde os primeiros anos da infância, por meio da escola e de outros círculos pelos quais a criança passa, demonstrando ao ser humano, desde a mais tenra idade, como é simples identificar a manipulação e o abuso utilizada, por vezes, nos meios de comunicação, e o viés puramente mercadológico que estes vêm assumindo e como, afinal, devem ser interpretados por cada um de nós.

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL PROPÕE NOVAS DISCUSSÕES PARA UM NOVO MUNDO

As atividades do Fórum Social Mundial - 10 anos, tiveram início com um relato sobre os dez anos de trabalho do FSM, reforçando a necessidade de se repensar e superar a conjuntura cultural e política da luta pelo poder.

As discussões foram balizadas, neste sentido, por propostas em prol da construção de uma sociedade marcada pela solidariedade, pelo desenvolvimento sustentável, pela fortificação das redes e dos movimentos sociais, visando à consolidação de uma política autônoma em relação às grandes potencias, como os Estados Unidos e a China e de um mundo sem grandes disparidades sócio-econômicas como o atual.

Vislumbrando a ofensiva pelo fim da concentração de capital e monopólio dos direitos, proveniente de um neoliberalismo avassalador, um dos grandes desafios sugeridos pelos participantes foi a mudança na mentalidade social quanto ao consumismo extremo, tão incentivado e cultuado no capitalismo neoliberal.

Vivemos numa era de consumo excessivo por parte de cerca de 20% da população mundial e em contrapartida uma fatia considerável da população mundial vive abaixo da linha da pobreza extrema, sem condições financeiras para se alimentar diariamente, embora exista recursos suficientes para toda a população do planeta, como explica o professor Dr. Ladislau Dowbor: “Com o que produzimos atualmente dá para todos viverem de maneira digna e confortável, o problema é que são produzidas coisas desnecessárias”.

No que toca à educação, pudemos perceber o notório resgate que se fez na história da educação brasileira e os diversos relatos sobre experiências educacionais tais como ocorrido na palestra "Perspectivas e desafios da educação sob foco da gestão democrática" pelo secretário de Educação de Umbu das Artes, Pedro Pontual, quando falava sobre a experiência de educação popular, as quais ele denominou como o "maior laboratório de desenvolvimento de políticas públicas". Nessa mesma palestra ele também apontou a necessidade de se superarem as condições de desigualdades já existentes em nosso País e que a transformação só ocorrerá através do diálogo entre os homens.

Já na palestra “Educação Popular no Contexto Urbano: Luta pela Moradia”, alguns palestrantes questionaram o papel da mídia no contexto educacional apresentando a televisão como mero canal de consumismo exacerbado, apontando a falta de conhecimento cientifico e cultural com o desconhecimento e alienação. Nessa mesma palestra o ativista do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, também abordou o papel da mídia dizendo que a "televisão no mundo contemporâneo é a ratoeira para pegar pobre, assim ele não pensa". Essa palestra teve como público alvo, moradores locais e estudantes, tendo como palestrantes uma mescla de militantes do MST e representantes do Governo.

A discussão girou em torno da busca por uma educação de melhor qualidade, e de grandes louvores ao movimento sem terra, mesmo tendo este ações questionáveis nos últimos tempos tendo em vista tudo que esta sendo apresentado nas mídias.

As mudanças sócio-ambientais que estão ocorrendo no século XXI também foram debatidas nas mesas do FSM 2010. Atualmente os sistemas educativos estão formando pessoas para um mundo que não vai existir futuramente. Conviveremos com outras condições ambientais e sociais, desta forma além de repensarmos como estamos vivendo, quais são as escolhas que estamos fazendo hoje, qual o mundo que estamos deixando para os nossos filhos e netos também devemos refletir sobre a instrução ministrada em nossas escolas. Como fazer com que a escola privilegie conteúdos relacionados com as novas realidades sócio-economicas-ambientais? Esse foi um desafio lançado para os educadores presentes ao FSM 2010.

Ainda, tratando de questões educacionais enfatizou-se a relevância de termos nos nossos quadros de professores, profissionais menos lecionares e mais articuladores, comprometidos com a formação para cidadania, ou seja, tendo em vista que para formar cidadãos reflexivos, críticos, autônomos e atores de suas próprias vidas, é necessário que os docentes propiciem uma instrução revolucionária e emancipatória viabilizando a conscientização e a libertação das amarras sociais.

Para melhorar sua produção os professores precisam de incentivos, sendo indispensável que o Estado coloque em prática uma política de valorização dos professores, com melhores condições de trabalho, e práticas salariais dignas. Além disso, “precisamos de um PNE – Plano Nacional de Educação - que contemple investir no mínimo 10% do PIB em educação” como explicou a Educadora Neiva Lazzarotto. O Brasil, que está empenhado em tornar-se a 5ª economia do mundo não pode continuar como no 88º lugar quando falamos do índice de desenvolvimento da educação, atrás de países mais pobres como Honduras, Equador e Paraguai.

Na grande maioria das mesas do FSM foram contempladas as seguintes temáticas: o problema da enorme concentração de renda (com destaque para o Brasil, uma das nações mais desiguais do mundo), a desigualdade socioeconômica mundial, os déficits educacionais brasileiros quando comparados com outros países, em especial com países da América Latina, e como os movimentos populares podem ser a chave para mudanças nessa sociedade com tantas contradições e disparidades. Muitas falas foram marcadas pela perspectiva de uma possível superação da ideologia neoliberal a partir dos movimentos populares.

Por onde começar para que um outro mundo livre da dominação capitalista torne-se realidade? Quais são as propostas? Estas questões ficaram em aberto, há muito a ser pensado e debatido, poucas foram as certezas, porém alguns apontamentos surgiram, tais como: necessitamos urgentemente de maiores investimentos em educação de qualidade e não apenas na universalização do ensino público no país, o governo deve fornecer incentivos aos pequenos agricultores ao invés de simplesmente se vangloriar com os altos investimentos fornecidos ao agro-negócio, além disso, o Estado precisa formular políticas que estimulem as pequenas e as micro-empresas ao invés de privilegiar as grandes corporações.

 
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